sábado, 28 de junho de 2014
OUTROS ARRAIAIS -- 1 --PELO SÃO PEDRO
Parte 2
..........................
E o vinte e nove chegou;
Toda eu era emoção:
Mas o Santo não achou
O par do meu coração.
Com redobrado fervor
A São Pedro supliquei
Que me pescasse um amor
Já que eu não o encontrei..
Mas também Ele olvidou
O empenho do pedido
E sempre a festa acabou
Sem eu encontrar marido.
Os anos forram correndo
E eu via a Festa acabar
Como o fogo, vivo, ardendo,
P'ra logo morrer no ar...
E, das festas populares,
Dos santos, dos namoricos
Só ficava enchendo os ares
Um odor a mangericos...
Verdes, redondos, cheirosos,
Com um cravinho a lembrar,
Que quem os quer bem viçosos,
Rega-os e põe ao luar!....
segunda-feira, 23 de junho de 2014
OUTROS ARRAIAIS ---1 --PELO SÃO JOÃO
PARTE I
Vinte e quatro é São João;
São Pedro é a vinte e nove.
É tão grande a emoção
Que o coração se comove..
Quando era moça bailava
Num arraial popular...
Nessa noite eu não parava
Até a manhã raiar.
Lesta saltava a fogueira
Em que o chumbo derretia;
Desconhecia a canseira,
Remoçava-me a alegria.
As alcachofras queimava
Com ingénua convicção,
E o alho porro atirava
P'ra atingir teu coração.
E quando a luz da manhã
Nos trazia um outro dia,
Corada que nem romã
Té o orvalho eu bebia...
Orvalho de São João!..
Meu Santinho estremecido:
Deste-me tanta ilusão!
Mas não me deste um marido!
Desiludida contigo,
Fui solicitar favores
Ao outro Santinho amigo
Patrono dos pescadores....
Vinte e quatro é São João;
São Pedro é a vinte e nove.
É tão grande a emoção
Que o coração se comove..
Quando era moça bailava
Num arraial popular...
Nessa noite eu não parava
Até a manhã raiar.
Lesta saltava a fogueira
Em que o chumbo derretia;
Desconhecia a canseira,
Remoçava-me a alegria.
As alcachofras queimava
Com ingénua convicção,
E o alho porro atirava
P'ra atingir teu coração.
E quando a luz da manhã
Nos trazia um outro dia,
Corada que nem romã
Té o orvalho eu bebia...
Orvalho de São João!..
Meu Santinho estremecido:
Deste-me tanta ilusão!
Mas não me deste um marido!
Desiludida contigo,
Fui solicitar favores
Ao outro Santinho amigo
Patrono dos pescadores....
domingo, 27 de abril de 2014
ASSIM SERÁ
Chegou o tempo de espera,
em que o todo desespera,
por sentir fragilidade.
A vida é cruel e mói
sofre o corpo,
a alma dói
em vez de esperança
há saudade.
Ólho p'ró ontem, distante,
criança, da vida amante,
eu fácilmente sorria.
Brincava,
pulava,
ria,
num riso contagiante.
hoje, p'la vida testada,
o mal e o bem me marcaram!
Intrépida, destemida,
fui á luta,
fui à vida
confiante na vitória
que sempre me acompanhou
E, nesta guerra sem fim
muitos anos se passaram
e o pensar se mudou
por fora e dentro de mim.
Mas, quem viveu
por amor e para amar,
não se sente derrotada.
Vai em frente.
Segue a estrada
sempre de cabeça erguida
até ao fim da jornada,
até ao fim desta vida!
e, quando a morte bater
á porta da minha casa
num sopro ou bater de asa,
com gosto a vou receber,
mandá-la entrar,
como amiga,
fazer um brinde
a sorrir,
o meu cálice beber,
dizer adeus
e partir......
Sei que, no Inferno
ou nos Céus
no momento em que eu entrar
estarão os amores meus
à espera
p'ra me abraçar!
em que o todo desespera,
por sentir fragilidade.
A vida é cruel e mói
sofre o corpo,
a alma dói
em vez de esperança
há saudade.
Ólho p'ró ontem, distante,
criança, da vida amante,
eu fácilmente sorria.
Brincava,
pulava,
ria,
num riso contagiante.
hoje, p'la vida testada,
o mal e o bem me marcaram!
Intrépida, destemida,
fui á luta,
fui à vida
confiante na vitória
que sempre me acompanhou
E, nesta guerra sem fim
muitos anos se passaram
e o pensar se mudou
por fora e dentro de mim.
Mas, quem viveu
por amor e para amar,
não se sente derrotada.
Vai em frente.
Segue a estrada
sempre de cabeça erguida
até ao fim da jornada,
até ao fim desta vida!
e, quando a morte bater
á porta da minha casa
num sopro ou bater de asa,
com gosto a vou receber,
mandá-la entrar,
como amiga,
fazer um brinde
a sorrir,
o meu cálice beber,
dizer adeus
e partir......
Sei que, no Inferno
ou nos Céus
no momento em que eu entrar
estarão os amores meus
à espera
p'ra me abraçar!
sexta-feira, 18 de abril de 2014
MÃE
Virgem tu foste, um dia, ó minha mãe,
Tal como a Santa Mãe do Bom Jesus;
Mas, depois que meus olhos viram luz
Foste santa também!
Amaste e por amar me concebeste
Sob a benção divina do Senhor
E, por um fruto que era todo amor
Também sofreste!
A custo, entre dores, deste-me a vida,
Feliz por pores um ente neste mundo.
O meu amor por ti é tão profundo!
Amo-te tanto, querida!
E se eu pudesse, apenas por te amar
Fazer de ti a santa que adivinho,
Transformava em degraus o meu caminho,
Erguia-te um altar!
Meu coração, ardendo, feito círio,
Brilharia a teus pés de noite e dia.
E cada pensamento, feito lírio
Poria em teu altar com alegria....
REFLECTINDO...
Hoje, tal como há mil e muitos anos
Jesus subiu, ferido e maltratado,
A íngreme encosta do Calvário.
Tal como Ele,
Eu sucumbi á fúria dos enganos.....
Chorei de coração despedaçado,
Sem ter p'ró rosto um qualquer Sudário
Aonde me enxugar...
Fui Madalena, não arrependida....
Fui Mater Dolorosa, destroçada....
Tu foste a lança. O coração parou!...
Os sinos tocaram a rebate:
P'ra nós não há chegada nem partida:
Há uma cena muito mal rodada,
Epílogo dum "filme" que acabou
Num simples xeque - mate...
sábado, 29 de março de 2014
SENSATEZ
Há muito que a vida era,
para mim,
ficha arquivada
numa pasta de arquivo,
que só recordo,
não vivo.
Mas, um dia,
o sol nasceu mais brilhante,
bem escaldante,
e o meu sangue aqueceu.
Senti a vida voltar
como volta a primavera;
ouvi pássaros cantar,
vi lírios desabrochar
a brisa fresca soprar
e fiquei á tua espera.
Porquê?
No lago a água corria
enquanto os patos nadavam
logo ao despontar o dia.
Interroguei-me!
Se a natureza não morre,
se renova em cada ano
toda alegre...florida...
porque então, ó meu Deus,
eu que sou um ser humano,
por Ti sonhado
e criado,
não volto de novo á vida?
Olhei o céu e o rio
que se fundiam , num só,
na linha do horizonte.
Até as rochas se erguiam
como cruzeiros plantados
no cimo de cada monte.
E eu?
Alma sequiosa
não devia procurar
a gota de água orvalhada
que dessedentava a rosa?
E o sol brilhou no nascente
e veio, devagarinho,
iluminar, fortemente,
o trilho acidentado
que seria o meu caminho.
Olhei em frente
e, confesso,
que me faltou a coragem
e, como barco cansado,
fiquei na doca,
parado,
e desisti da viagem!
quinta-feira, 27 de março de 2014
NA HORA DA DESPEDIDA
Acorda, dorminhoco,
já é dia !
E para mim
um dia especial,
diferente,
quase surreal....
pois ter-te aqui,
ao alcance da mão
e não estar a sonhar
é loucura....
Nem quero acreditar
que não é ilusão!
Acorda!
Partilha esta alegria
de te ter, todinho,
assim,
apenas para mim....
Tudo à volta
são flores
de muitas cores
e, até o ar respira poesia.....
ai, amor,
que belo é este dia!
Deixa-me encostar
meu rosto no teu peito
sentir bem o teu cheiro,
o teu calor,
teu ressonar profundo....
Há quem deteste.
Mas para mim, amor,
esse ruído
é o melhor do mundo!
Amanhã?
tudo será diferente.....
Tu estarás bem longe...
e eu...com outra gente!
NOITE ESPECIAL
Era um local sagrado,
abençoado,
de Oração.
No céu havia lua!
Nossas almas,
tocadas,
se fundiam:
a tua na minha,
a minha na tua.
Com paixão,
sei
que rezei
por ti
e tu,
talvez, por mim.
Não sei quanto tempo
estivemos assim.....
só sei
que este poema
é pronúncio de fim!.
terça-feira, 18 de março de 2014
DESILUSÃO
O muito que me deste
foi tão pouco,
quem diria....
foi uma gota de água
no oceano!
Foi o silêncio
no gargalhar dum louco,
sem igual....
foi sonhar a verdade
e cair no engano
dum amor desleal!
Foi desejar a luz
e ter a escuridão....
total...
gritar amizade
e parecer desleal!
Foi querer ler
teu olhar
sem saber soletrar!
Foi jogar à cabra cega
de olhos vendados,
foi seguir por caminhos
esburacados,
com risco de tombar
a cada passo
sem ter,
para me erguer,
a força do teu braço!
Foi !.....Foi!...
Foi tanta coisa mais
que eu queria apertar
bem junto ao peito
e, de repente,
descobrir
que não tinha mais jeito,
nem forma,
nem maneira!
Foi como despertar
duma tal bebedeira,
que me deixou prostrada,
sem coragem,
sem força,
sem ânimo....
sem nada!.
sexta-feira, 7 de março de 2014
PRETINHA
Pequena,
negrita e roliça,
a cantar.....
a cantar......
Desperta a clareira
da selva
que dorme....
ao luar....
seu corpo roliço
- não negro -
mestiço,
de cor ideal,
é quente.....
sensual......
Pequena e roliça,
ao som do tambor,
selvagem,
guerreiro,
requebra seu corpo
escaldante,,,,
dengoso.
Seu corpo roliço
é bem, em verdade,
de tanto feitiço
o mais perigoso.
Pequena,
negrita e roliça
o branco enfeitiça
ao luar....ao luar....
Na noite escaldante,
pretinha dengosa,
de corpo ondulante
ao branco se entrega
fremente em desejo
de anseio...carnal.
Pretinha amorosa,
seus seios roliços
na noite calmosa
branca de luar,
são forças que impelem
um homem
a amar!
Pretinha atrevida,
de cintura fina....
foste possuída....
na noite,
e logo esquecida!...
Já foste menina!!!
quarta-feira, 5 de março de 2014
AMOR DE BORDA DE ÁGUA
A manhã vem!
Com sol,
chuva ou nevoeiro
eu sou mulher do cais
e tu um marinheiro.
Marinheiro que para,
não fica,
vai á vida...
E eu?
Quedo-me de olhos rasos de ´´agua
a sentir...
a sofrer a partida
e,
no ecrã enorme
da memória
perpassa o filme
feito da nossa história:
um carinho...
um abraço...
um beijo...
um amasso....
despedida!!!
Vais para outra
sem levar saudade.
E eu?
Ali me fico
cheia de raiva,
de dor,
por ter de repartir
com outra
o teu amor!
sábado, 1 de março de 2014
QUANDO TUDO DOI
FILHO,
Em cada hora,
cada lugar,
cada momento,
eu sei que estás comigo!
Alertas-me
como o fizeste agora....
Ajudas-me a acordar,
a ir em frente
e a saber olhar...
e,
a saber ver!
Segues
colado a mim
como aquele anjo que te dei
quando nasceste
e que te acompanhou
no teu,
tão triste,
fim!
Filho meu....
quero escrever....
gritar,...
desabafar
e não consigo...
Filho meu...
vem até mim.
Vem acalmar,
com teu carinho,
com teu amor,
a dor que dilacera,
que rasga...
que doi,
que moi
mas não destroi
meu coração!
Vem, Filho meu;
preciso descansar
e,
talvez em sonho,
eu consiga ouvir
teu feliz gargalhar
e consiga sorrir!
Vem, Filho meu.
Fecha-me os olhos
com todo o teu carinho
e deixa-me dormir!!
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
QUEM SOU?
QUEM SOU
Sou Filha
da Rainha Ingratidão....
Senhora
do Palácio da Ilusão,
Esposa
do Califa Desespero....
Sou Serva
da fogueira da Paixão,
Escrava
do teu nobre coração,
por isso de dedico
amor sincero........
Sou,
Favorita
no Harém da Fantasia.....
Sirvo
o Rei sem trono da Ironia
que me governa,
a vida...comandada.
Sou Actriz
no palco do meu dia....
Máscara
de tristeza ou de alegria
e sofro
por viver apaixonada!......
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
DESABAFOS
DESABAFOS
Duas rosas te ofertei
para marcar este dia;
rosas que eu não reguei
mas com ternura comprei
pois jamais te esqueceria.
Numa mostra bem singela
de verdadeira amizade
uma rosa é amarela,
tão dobradinha...tão bela....
toda carinho e verdade.
A outra, de rubra cor
e de intenso perfume,
simboliza aquele amor
devotado, sofredor
e que morre de ciúme.
duas rosas p'ra guardar
na minha recordação:
se elas pudessem falar
ao vento iriam contar
o querer do meu coração.
Duas rosas te ofertei
para marcar este dia;
rosas que eu não reguei
mas com ternura comprei
pois jamais te esqueceria.
Numa mostra bem singela
de verdadeira amizade
uma rosa é amarela,
tão dobradinha...tão bela....
toda carinho e verdade.
A outra, de rubra cor
e de intenso perfume,
simboliza aquele amor
devotado, sofredor
e que morre de ciúme.
duas rosas p'ra guardar
na minha recordação:
se elas pudessem falar
ao vento iriam contar
o querer do meu coração.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
INTIMIDADEe
INTIMIDADE
Teu respirar
ofegante
que se afoga no meu peito,
é a ampulheta constante
do teu anseio de amante
em que me aninho com jeito..
Teus lábios
mordem os meus
numa loucura
de amor.
Mas, em breve,
saciados,
abandonam, por momentos,
a taça
do meu licor
onde restam,
a escorrer
pingos de raro sabor
que 'inda acabas por sorver....
E já o teu corpo lasso,
fatigado,
arquejante,
resvalou e a meu lado
se queda inerte,
parado,
embora ainda escaldante....
Mas, em meu peito
ainda arde
a tortura do desejo:
-- E, unindo meu rosto ao teu,
como quem suplica ao céu...
peço-te a mercê dum beijo.
E, de novo enlaçados,
lábios nos lábios colados
a excitação recomeça...
até que muito cansados,
felizes
mas esgotados,
adormecemos depressa.....
Teu respirar
ofegante
que se afoga no meu peito,
é a ampulheta constante
do teu anseio de amante
em que me aninho com jeito..
Teus lábios
mordem os meus
numa loucura
de amor.
Mas, em breve,
saciados,
abandonam, por momentos,
a taça
do meu licor
onde restam,
a escorrer
pingos de raro sabor
que 'inda acabas por sorver....
E já o teu corpo lasso,
fatigado,
arquejante,
resvalou e a meu lado
se queda inerte,
parado,
embora ainda escaldante....
Mas, em meu peito
ainda arde
a tortura do desejo:
-- E, unindo meu rosto ao teu,
como quem suplica ao céu...
peço-te a mercê dum beijo.
E, de novo enlaçados,
lábios nos lábios colados
a excitação recomeça...
até que muito cansados,
felizes
mas esgotados,
adormecemos depressa.....
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
CAPRICHOS DA VIDA
CAPRICHOS DA VIDA
Quase nunca nesta vida
Temos o que desejamos;
Tão grande é a nossa lida
Que de nós nos apartamos.
Pode a alma ficar dorida
Por não termos quem gostamos
Mas fica a missão cumprida
Junto daqueles que amamos.
O ano que já passou
Esvaiu-se, não nos juntou,
Como tu próprio me dizes:
Quem sabe se o que aí vem
Nos oferece maior bem
E nos faz viver felizes!.
. Setúbal, 12/2006
domingo, 16 de fevereiro de 2014
SÓ
SÓ
Só,
na vida a labutar
sem o conforto
divino desse teu olhar,
ando perdida no alto mar!
Só,
sem a esperança
dessa tua boca desejada,
sigo na vida, á toa,
sem ter nada!
Só,
Sem um eco distante,
na lonjura,
pressinto
que a vida me dará
só desventura.
Só!.....
estou eu...
Só,
tu estás também!....
Porquê,
Senhor do Céu?
Porquê,
Doce Maria, Virgem Mãe?
Se, amanhã,
nossas vidas apenas serão pó,
porquê,
então,
meu bem,
tu viverás tão longe
e eu aqui tão só ?.......
Só,
na vida a labutar
sem o conforto
divino desse teu olhar,
ando perdida no alto mar!
Só,
sem a esperança
dessa tua boca desejada,
sigo na vida, á toa,
sem ter nada!
Só,
Sem um eco distante,
na lonjura,
pressinto
que a vida me dará
só desventura.
Só!.....
estou eu...
Só,
tu estás também!....
Porquê,
Senhor do Céu?
Porquê,
Doce Maria, Virgem Mãe?
Se, amanhã,
nossas vidas apenas serão pó,
porquê,
então,
meu bem,
tu viverás tão longe
e eu aqui tão só ?.......
sábado, 15 de fevereiro de 2014
VERSOS SOLTOS -SEM SENTIDO
PORQUE?
A planta que me deste
está a " morrer " coitadinha!...
Confesso,..não percebi
se ela " murchou " de tristeza
ou de saudades de ti!
....................................................
Atentamente reli
o discurso alinhavado,
estava bem delineado
mas a falso me soou;
só resta ser arquivado!
.....................................................
O marcador que deixaste
foi oferta envenenada.
Fiquei estática, calada....
com ele não vou marcar
os meus livros nem mais nada...
................................................
Pára, ...descansa...sossega...
relaxa....a vida é só uma;
não a desfaças em espuma...
O teu Karma não acuses
que não tem culpa nenhuma...
.......
A planta que me deste
está a " morrer " coitadinha!...
Confesso,..não percebi
se ela " murchou " de tristeza
ou de saudades de ti!
....................................................
Atentamente reli
o discurso alinhavado,
estava bem delineado
mas a falso me soou;
só resta ser arquivado!
.....................................................
O marcador que deixaste
foi oferta envenenada.
Fiquei estática, calada....
com ele não vou marcar
os meus livros nem mais nada...
................................................
Pára, ...descansa...sossega...
relaxa....a vida é só uma;
não a desfaças em espuma...
O teu Karma não acuses
que não tem culpa nenhuma...
.......
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
AGRADECIDA
AGRADECIDA
As rosinhas amarelas
que com carinho me deste
são tão belas....
tão singelas...
Até fiquei comovida!
Olhei para ti,
sorri,
sem mais conseguir dizer;
Agora, restabelecida,
já consigo agradecer
o presente inesperado
que me vieste trazer..
Desculpa, amigo do peito
o meu silêncio sem jeito
todo feito
de emoção...
O teu gesto de carinho
calou fundo dentro em mim,
aqueceu meu coração,
fiquei mais feliz assim!...
As rosinhas amarelas
que com carinho me deste
são tão belas....
tão singelas...
Até fiquei comovida!
Olhei para ti,
sorri,
sem mais conseguir dizer;
Agora, restabelecida,
já consigo agradecer
o presente inesperado
que me vieste trazer..
Desculpa, amigo do peito
o meu silêncio sem jeito
todo feito
de emoção...
O teu gesto de carinho
calou fundo dentro em mim,
aqueceu meu coração,
fiquei mais feliz assim!...
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
DESILUSÃO
DESILUSÃO
Cada dia que morre
mais se enraíza em mim
a planta da dúvida
que me enleia,
me abraça,
me prende,
me sufoca,
me deixa como louca
a antever o fim.
Chegar ao fim....
às vezes é glória,
triunfo,
exaltação....
Outras,
chegar ao fim,
é o fracasso,
a derrota...
o perder o apoio do teu braço
enquanto vai pa..ran..do..
o coração.
O teu fugir em segredo,
para mim, é mau sinal:
é como a coruja que pia
na noite do meu quintal....
Faz acordar o temor
de perder o que não tenho,
nunca tive
nem terei:
o teu amor,
eu bem sei!..
E, quando o fogo apagar
deixando a cinza no chão,
não vou chorar
por ti, não!..
Vou levantar-me
e gritar
com quantas forças tiver:
meu peito está a sangrar
mas eu vou sobreviver!!!
Cada dia que morre
mais se enraíza em mim
a planta da dúvida
que me enleia,
me abraça,
me prende,
me sufoca,
me deixa como louca
a antever o fim.
Chegar ao fim....
às vezes é glória,
triunfo,
exaltação....
Outras,
chegar ao fim,
é o fracasso,
a derrota...
o perder o apoio do teu braço
enquanto vai pa..ran..do..
o coração.
O teu fugir em segredo,
para mim, é mau sinal:
é como a coruja que pia
na noite do meu quintal....
Faz acordar o temor
de perder o que não tenho,
nunca tive
nem terei:
o teu amor,
eu bem sei!..
E, quando o fogo apagar
deixando a cinza no chão,
não vou chorar
por ti, não!..
Vou levantar-me
e gritar
com quantas forças tiver:
meu peito está a sangrar
mas eu vou sobreviver!!!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
EU
EU
Eu sou pedaço de mim,
com começo
mas não fim...
Eu sou a pedra que rola,
que saltita,
que rebola
e se perde encosta abaixo....
Eu sou palhaço pintado,
escondido,
camuflado
por uma roupa qualquer...
Eu sou pedaço de vida
que continua metida
no meu corpo
de mulher...
Eu sou a mãe que, já era
e nunca deixa
de o ser
enquanto vida tiver...
Eu sou boneca de barro
que tombou
mas não partiu...
Eu sou o raio de sol
que veio de manhãzinha
mas que á tardinha
fugiu....
Eu sou agente à procura
do ladrão,
sem compaixão,
que o coração me roubou
e que nunca mais voltou...
Eu sou a sombra de outrora
que me mitiga o calor
da chama que me devora
nesta fogueira de amor....
Eu sou pedaço de mim,
com começo
mas não fim...
Eu sou a pedra que rola,
que saltita,
que rebola
e se perde encosta abaixo....
Eu sou palhaço pintado,
escondido,
camuflado
por uma roupa qualquer...
Eu sou pedaço de vida
que continua metida
no meu corpo
de mulher...
Eu sou a mãe que, já era
e nunca deixa
de o ser
enquanto vida tiver...
Eu sou boneca de barro
que tombou
mas não partiu...
Eu sou o raio de sol
que veio de manhãzinha
mas que á tardinha
fugiu....
Eu sou agente à procura
do ladrão,
sem compaixão,
que o coração me roubou
e que nunca mais voltou...
Eu sou a sombra de outrora
que me mitiga o calor
da chama que me devora
nesta fogueira de amor....
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
A MINHA VONTADE
A MINHA VONTADE
Quando o meu fim chegar
não quero ramos de flores.
Só quero sobre o caixão
dos meus netos sete flores.
Da BEATRIZ, uma rosa
bem vermelha se houver;
é a rainha das flores
e fica bem a qualquer.
Da ALICE, um malmequer
timido, sempre a sofrer
um eterno enamorado
sem saber quem bem lhe quer.
Da MARIANA, um jarro,
pequenino como ela
eu quero levar comigo
em homenagem singela.
Do FILIPE, uma geribera
branca que é a cor mais pura:
proteger-te eu tentarei
na tua vida futura.
Do FRANCISCO, uma açucena
ou Bordão de São João;
da vida não levo pena,
levo-te no coração.
Do VASCO, um cravinho branco
como o teu avô faria;
será a presença dele
junto de mim nesse dia.
Do AFONSO, o mais pequeno,
quero um ramo de viváz;
que Deus te dê longa vida
e te faça um bom rapaz......
Quando o meu fim chegar
não quero ramos de flores.
Só quero sobre o caixão
dos meus netos sete flores.
Da BEATRIZ, uma rosa
bem vermelha se houver;
é a rainha das flores
e fica bem a qualquer.
Da ALICE, um malmequer
timido, sempre a sofrer
um eterno enamorado
sem saber quem bem lhe quer.
Da MARIANA, um jarro,
pequenino como ela
eu quero levar comigo
em homenagem singela.
Do FILIPE, uma geribera
branca que é a cor mais pura:
proteger-te eu tentarei
na tua vida futura.
Do FRANCISCO, uma açucena
ou Bordão de São João;
da vida não levo pena,
levo-te no coração.
Do VASCO, um cravinho branco
como o teu avô faria;
será a presença dele
junto de mim nesse dia.
Do AFONSO, o mais pequeno,
quero um ramo de viváz;
que Deus te dê longa vida
e te faça um bom rapaz......
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
BONECASDÁ-ME
DÁ-ME A BONECA ---- I
Entre as muitas bonecas possuídas
eu reparti, na vida, o meu carinho.
Cada uma marcou, no meu caminho,
etapas facilmente percorridas.
Minhas bonecas lindas, tão queridas,
que eu embalei, nos braços, de mansinho
como uma mãe embala o seu filhinho,
hoje postas de lado, não esquecidas.
Pedi-te uma boneca, linda, bela,
para que eu pudesse, ao vê-la a ela,
envolver num olhar tua lembrança.
Tolo, sorriste deste meu pedido
e partiste descrente e convencido
que eu, em vez de mulher, era criança.
I I
Simbólica, a boneca que eu pedi
faria hoje a delícia dos meus dias:
eu seria feliz e tu serias
o homem que amei e não vivi.
Sofri de amor por não te ter aqui,
nas minhas horas prenhes de agonias,
sabendo que te queria e tu me querias
para sempre, dia a dia, junto a ti.
Se eu tivesse a boneca, apetecida,
olhando-a, lembraria a nossa vida
e seria feliz por ser mulher.
Mas tu não queres que eu sinta em meu redor
a chama ardente do teu "grande amor"
e que a boneca iria, em mim, manter.
( algures..anos 60 )
Entre as muitas bonecas possuídas
eu reparti, na vida, o meu carinho.
Cada uma marcou, no meu caminho,
etapas facilmente percorridas.
Minhas bonecas lindas, tão queridas,
que eu embalei, nos braços, de mansinho
como uma mãe embala o seu filhinho,
hoje postas de lado, não esquecidas.
Pedi-te uma boneca, linda, bela,
para que eu pudesse, ao vê-la a ela,
envolver num olhar tua lembrança.
Tolo, sorriste deste meu pedido
e partiste descrente e convencido
que eu, em vez de mulher, era criança.
I I
Simbólica, a boneca que eu pedi
faria hoje a delícia dos meus dias:
eu seria feliz e tu serias
o homem que amei e não vivi.
Sofri de amor por não te ter aqui,
nas minhas horas prenhes de agonias,
sabendo que te queria e tu me querias
para sempre, dia a dia, junto a ti.
Se eu tivesse a boneca, apetecida,
olhando-a, lembraria a nossa vida
e seria feliz por ser mulher.
Mas tu não queres que eu sinta em meu redor
a chama ardente do teu "grande amor"
e que a boneca iria, em mim, manter.
( algures..anos 60 )
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
TRANSFORMAÇÃO
TRANSFORMAÇÃO
Acreditei sincero
o teu amor,
pura a transparência
desse olhar;
sem mancha o teu sorriso
encantador
que me fez sonhar.
Acreditei em tuas falas
belas,
no firme caminhar
dos passos teus,
achei beleza
nas coisas mais singelas.
Feliz,
acreditei
estar nos céus...
...................................................................
Como uma ave
que voa,
como uma nuvem
que passa,
acabou-se a hora boa,
estilhaçou-se a minha taça.
.....................................................................
Banal coisa abandonada,
sem valor,
em pedaços,
espalhada,
pelo chão,
é hoje
esse teu ideal amor,
cruel desilusão.
Acreditei sincero
o teu amor,
pura a transparência
desse olhar;
sem mancha o teu sorriso
encantador
que me fez sonhar.
Acreditei em tuas falas
belas,
no firme caminhar
dos passos teus,
achei beleza
nas coisas mais singelas.
Feliz,
acreditei
estar nos céus...
...................................................................
Como uma ave
que voa,
como uma nuvem
que passa,
acabou-se a hora boa,
estilhaçou-se a minha taça.
.....................................................................
Banal coisa abandonada,
sem valor,
em pedaços,
espalhada,
pelo chão,
é hoje
esse teu ideal amor,
cruel desilusão.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
BLOQUEIOS
BLOQUEIOS
I
Bateu-me a dor no peito.
Uma dor tão brutal
e tão intensa,
tão violenta,
tão profunda.
tão sem jeito,
que eu bloqueei.
Só ouvia a tua voz,
num grito,
tão aflito...
mãe....mãe....mãe....
Esqueci tudo que havia à minha volta,
meu pensamento
disparou
como um garrano,
enfurecido,
à solta,
sem saber o que tinha acontecido.
Esqueci
até o nome do amigo
que estava ali,
comigo,
e que me sustentou.
Queria correr,
voar,
para te socorrer,
te abraçar,
te agarrar
para não te perder.
Mas,
meu amor tão querido,
era tarde demais:
tu já tinhas partido!
II
Quando quis ouvir
aquela música que era tua,
não consegui
por me lembrar
de ti e bloqueei.
Tentei!
Quantas vezes tentei!
-- juro que me esforcei --
mas foi em vão.
Cada vez que eu ia tentar
pôr de novo a tocar
a tua música...
não conseguia.
Doía-me o peito,
a alma,
o coração.
E eu não conseguia...
sequer reconhecê-la!...
Dentro de mim
a saudade gritava....
ó meu amor querido!...
nada mais me restava
nem lágrimas,
nem gemidos,
nem ais...
Tu já tinhas partido
e não voltavas mais!!
I I I
Entrei na nossa casa,
qual criança
cheia de amor,
cheia de esperança
de te ver,
de te ter,
de te abraçar...
Mas tu não estavas la!
Corri a casa toda
mas em vão....
tudo era um vazio.
De ti,
nem um sinal:
um abraço,
um beijo,
um assobio
escutei...
E, de novo, sem querer,
eu bloqueei!
Sentei-me
sobre a cama
sem ter jeito
como se estivesse,
ainda,
à tua espera.
Mas a casa vazia
não fazia sentido.
Não gemi,
não gritei
e nem chorei por ti,
ó meu amor querido....
Por mais que eu não quisesse
tu já tinhas partido.
Não estavas mais ali!
I
Bateu-me a dor no peito.
Uma dor tão brutal
e tão intensa,
tão violenta,
tão profunda.
tão sem jeito,
que eu bloqueei.
Só ouvia a tua voz,
num grito,
tão aflito...
mãe....mãe....mãe....
Esqueci tudo que havia à minha volta,
meu pensamento
disparou
como um garrano,
enfurecido,
à solta,
sem saber o que tinha acontecido.
Esqueci
até o nome do amigo
que estava ali,
comigo,
e que me sustentou.
Queria correr,
voar,
para te socorrer,
te abraçar,
te agarrar
para não te perder.
Mas,
meu amor tão querido,
era tarde demais:
tu já tinhas partido!
II
Quando quis ouvir
aquela música que era tua,
não consegui
por me lembrar
de ti e bloqueei.
Tentei!
Quantas vezes tentei!
-- juro que me esforcei --
mas foi em vão.
Cada vez que eu ia tentar
pôr de novo a tocar
a tua música...
não conseguia.
Doía-me o peito,
a alma,
o coração.
E eu não conseguia...
sequer reconhecê-la!...
Dentro de mim
a saudade gritava....
ó meu amor querido!...
nada mais me restava
nem lágrimas,
nem gemidos,
nem ais...
Tu já tinhas partido
e não voltavas mais!!
I I I
Entrei na nossa casa,
qual criança
cheia de amor,
cheia de esperança
de te ver,
de te ter,
de te abraçar...
Mas tu não estavas la!
Corri a casa toda
mas em vão....
tudo era um vazio.
De ti,
nem um sinal:
um abraço,
um beijo,
um assobio
escutei...
E, de novo, sem querer,
eu bloqueei!
Sentei-me
sobre a cama
sem ter jeito
como se estivesse,
ainda,
à tua espera.
Mas a casa vazia
não fazia sentido.
Não gemi,
não gritei
e nem chorei por ti,
ó meu amor querido....
Por mais que eu não quisesse
tu já tinhas partido.
Não estavas mais ali!
domingo, 19 de janeiro de 2014
ORAÇÃO
Esta é uma singela homenagem a um grande amigo
Ao Senhor Padre José João Diogo
O R A Ç Ã O
Fui feita à semelhança do Senhor,
homem divinizado sobre a terra
e, tudo que de bom meu peito encerra
por Ele me foi dado com amor.
Genuflecti e rezei com fervor
por meus irmãos perdidos, nesta guerra
mundana, travada sobre a terra,
guerra crescente, cada vez maior.
Rezei por quantos andam sem guarida
perdidos nos caminhos desta vida,
vale de lágrimas, de sangue, de suor.
Rezei para que achassem o conforto
de levar suas barcas, a bom porto,
guiadas p'lo Farol do Salvador.
( anos 60 )
Ao Senhor Padre José João Diogo
O R A Ç Ã O
Fui feita à semelhança do Senhor,
homem divinizado sobre a terra
e, tudo que de bom meu peito encerra
por Ele me foi dado com amor.
Genuflecti e rezei com fervor
por meus irmãos perdidos, nesta guerra
mundana, travada sobre a terra,
guerra crescente, cada vez maior.
Rezei por quantos andam sem guarida
perdidos nos caminhos desta vida,
vale de lágrimas, de sangue, de suor.
Rezei para que achassem o conforto
de levar suas barcas, a bom porto,
guiadas p'lo Farol do Salvador.
( anos 60 )
domingo, 12 de janeiro de 2014
MEDO
MEDO
Quero-te
com toda a garra
que há em mim:
na força do prncípio,
na fraqueza do fim.
Quero-te
como a rocha
outrora solta
agarra agora a hera
que se vai enleando
tenaz
á sua volta.
Quero-te
como a jovem mãe
espera e desespera
p'lo momento feliz
do nascimento...
Quero,
com toda a força dos meus braços
te prender
porque,
um dia,
poderá talvez acontecer
alguém de arrancar de mim
e eu ficar assim,
sem nunca mais te ver....
sem nunca mais te ter....
perto de mim.
Não!
Não quero
nem sequer imaginar
que aquele Deus que tudo pode
e te inventou
poderá,
um dia aqui chegar
de mau humor
e sem qualquer razão determinar:
-- " É hora de partir
que o tempo terminou!!!
E eu, Senhor?
o que faço a seguir?
p'ra onde vou?
ser ter o meu amor?
Quero-te
com toda a garra
que há em mim:
na força do prncípio,
na fraqueza do fim.
Quero-te
como a rocha
outrora solta
agarra agora a hera
que se vai enleando
tenaz
á sua volta.
Quero-te
como a jovem mãe
espera e desespera
p'lo momento feliz
do nascimento...
Quero,
com toda a força dos meus braços
te prender
porque,
um dia,
poderá talvez acontecer
alguém de arrancar de mim
e eu ficar assim,
sem nunca mais te ver....
sem nunca mais te ter....
perto de mim.
Não!
Não quero
nem sequer imaginar
que aquele Deus que tudo pode
e te inventou
poderá,
um dia aqui chegar
de mau humor
e sem qualquer razão determinar:
-- " É hora de partir
que o tempo terminou!!!
E eu, Senhor?
o que faço a seguir?
p'ra onde vou?
ser ter o meu amor?
SEM VOLTA A DARntra
SEM VOLTA A DAR
Aqui, no meu colo, tão grande e tão pequeno
eu tenho o breviário mais sereno
que alguma vez li.
Ele foi, por certo, a biblia mais relida,
onde aprendi a perceber a vida
que conheci, em ti!
Ai, " Poemas de Deus e do Diabo"...
tu foste o meu mar alto sem ter cabo
que eu pudesse dobrar.
Li-te!..reli-te!...e, continuo lendo
e em ti, diáriamente, aprendo
como era improvável teu gostar.
É que, eu era o teu Diabo e o teu Deus,
era o caminho entre o Inferno e os Céus
que, ás vezes, desejavas.
Mas, não podias trair a natureza,
escolher entre o feio e a beleza,
por isso me afastavas.
Adoravas a mãe que te parira.
Veneravas aquela que te abrira
os olhos p'ro Amor todo pureza.
E, quando, esta, batia á tua Toca
com ela ia o diabo sempre à coca
de te deixares vencer pela fraqueza
que te tentava: " não desistas, ama!...
E tu, tentando apagar a chama
lutavas, furioso, contra o Vai! e o Vem!
Olhavas o começo da estrada;
fugias dessa curta caminhada
que ia do Poderoso ao Zé Ninguém.
De olhar metálico vias-me partir,
deglutias a dor e a sorrir,
fechavas com fragor a tua porta;
E, ficavas, ali, atrás, parado,
encostado á madeira, do outro lado,
a chorar tua esperança fria, morta.
Cruel contigo, a vida disse Não!
e eu parti sentindo adeus em tua mão
quando me despedi e fui embora.
Era o fim antecipado p'lo destino
que tornando teu amor em peregrino
te levava sózinho, mundo fora.
( Inédito )
Aqui, no meu colo, tão grande e tão pequeno
eu tenho o breviário mais sereno
que alguma vez li.
Ele foi, por certo, a biblia mais relida,
onde aprendi a perceber a vida
que conheci, em ti!
Ai, " Poemas de Deus e do Diabo"...
tu foste o meu mar alto sem ter cabo
que eu pudesse dobrar.
Li-te!..reli-te!...e, continuo lendo
e em ti, diáriamente, aprendo
como era improvável teu gostar.
É que, eu era o teu Diabo e o teu Deus,
era o caminho entre o Inferno e os Céus
que, ás vezes, desejavas.
Mas, não podias trair a natureza,
escolher entre o feio e a beleza,
por isso me afastavas.
Adoravas a mãe que te parira.
Veneravas aquela que te abrira
os olhos p'ro Amor todo pureza.
E, quando, esta, batia á tua Toca
com ela ia o diabo sempre à coca
de te deixares vencer pela fraqueza
que te tentava: " não desistas, ama!...
E tu, tentando apagar a chama
lutavas, furioso, contra o Vai! e o Vem!
Olhavas o começo da estrada;
fugias dessa curta caminhada
que ia do Poderoso ao Zé Ninguém.
De olhar metálico vias-me partir,
deglutias a dor e a sorrir,
fechavas com fragor a tua porta;
E, ficavas, ali, atrás, parado,
encostado á madeira, do outro lado,
a chorar tua esperança fria, morta.
Cruel contigo, a vida disse Não!
e eu parti sentindo adeus em tua mão
quando me despedi e fui embora.
Era o fim antecipado p'lo destino
que tornando teu amor em peregrino
te levava sózinho, mundo fora.
( Inédito )
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