DÁ-ME A BONECA ---- I
Entre as muitas bonecas possuídas
eu reparti, na vida, o meu carinho.
Cada uma marcou, no meu caminho,
etapas facilmente percorridas.
Minhas bonecas lindas, tão queridas,
que eu embalei, nos braços, de mansinho
como uma mãe embala o seu filhinho,
hoje postas de lado, não esquecidas.
Pedi-te uma boneca, linda, bela,
para que eu pudesse, ao vê-la a ela,
envolver num olhar tua lembrança.
Tolo, sorriste deste meu pedido
e partiste descrente e convencido
que eu, em vez de mulher, era criança.
I I
Simbólica, a boneca que eu pedi
faria hoje a delícia dos meus dias:
eu seria feliz e tu serias
o homem que amei e não vivi.
Sofri de amor por não te ter aqui,
nas minhas horas prenhes de agonias,
sabendo que te queria e tu me querias
para sempre, dia a dia, junto a ti.
Se eu tivesse a boneca, apetecida,
olhando-a, lembraria a nossa vida
e seria feliz por ser mulher.
Mas tu não queres que eu sinta em meu redor
a chama ardente do teu "grande amor"
e que a boneca iria, em mim, manter.
( algures..anos 60 )
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
TRANSFORMAÇÃO
TRANSFORMAÇÃO
Acreditei sincero
o teu amor,
pura a transparência
desse olhar;
sem mancha o teu sorriso
encantador
que me fez sonhar.
Acreditei em tuas falas
belas,
no firme caminhar
dos passos teus,
achei beleza
nas coisas mais singelas.
Feliz,
acreditei
estar nos céus...
...................................................................
Como uma ave
que voa,
como uma nuvem
que passa,
acabou-se a hora boa,
estilhaçou-se a minha taça.
.....................................................................
Banal coisa abandonada,
sem valor,
em pedaços,
espalhada,
pelo chão,
é hoje
esse teu ideal amor,
cruel desilusão.
Acreditei sincero
o teu amor,
pura a transparência
desse olhar;
sem mancha o teu sorriso
encantador
que me fez sonhar.
Acreditei em tuas falas
belas,
no firme caminhar
dos passos teus,
achei beleza
nas coisas mais singelas.
Feliz,
acreditei
estar nos céus...
...................................................................
Como uma ave
que voa,
como uma nuvem
que passa,
acabou-se a hora boa,
estilhaçou-se a minha taça.
.....................................................................
Banal coisa abandonada,
sem valor,
em pedaços,
espalhada,
pelo chão,
é hoje
esse teu ideal amor,
cruel desilusão.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
BLOQUEIOS
BLOQUEIOS
I
Bateu-me a dor no peito.
Uma dor tão brutal
e tão intensa,
tão violenta,
tão profunda.
tão sem jeito,
que eu bloqueei.
Só ouvia a tua voz,
num grito,
tão aflito...
mãe....mãe....mãe....
Esqueci tudo que havia à minha volta,
meu pensamento
disparou
como um garrano,
enfurecido,
à solta,
sem saber o que tinha acontecido.
Esqueci
até o nome do amigo
que estava ali,
comigo,
e que me sustentou.
Queria correr,
voar,
para te socorrer,
te abraçar,
te agarrar
para não te perder.
Mas,
meu amor tão querido,
era tarde demais:
tu já tinhas partido!
II
Quando quis ouvir
aquela música que era tua,
não consegui
por me lembrar
de ti e bloqueei.
Tentei!
Quantas vezes tentei!
-- juro que me esforcei --
mas foi em vão.
Cada vez que eu ia tentar
pôr de novo a tocar
a tua música...
não conseguia.
Doía-me o peito,
a alma,
o coração.
E eu não conseguia...
sequer reconhecê-la!...
Dentro de mim
a saudade gritava....
ó meu amor querido!...
nada mais me restava
nem lágrimas,
nem gemidos,
nem ais...
Tu já tinhas partido
e não voltavas mais!!
I I I
Entrei na nossa casa,
qual criança
cheia de amor,
cheia de esperança
de te ver,
de te ter,
de te abraçar...
Mas tu não estavas la!
Corri a casa toda
mas em vão....
tudo era um vazio.
De ti,
nem um sinal:
um abraço,
um beijo,
um assobio
escutei...
E, de novo, sem querer,
eu bloqueei!
Sentei-me
sobre a cama
sem ter jeito
como se estivesse,
ainda,
à tua espera.
Mas a casa vazia
não fazia sentido.
Não gemi,
não gritei
e nem chorei por ti,
ó meu amor querido....
Por mais que eu não quisesse
tu já tinhas partido.
Não estavas mais ali!
I
Bateu-me a dor no peito.
Uma dor tão brutal
e tão intensa,
tão violenta,
tão profunda.
tão sem jeito,
que eu bloqueei.
Só ouvia a tua voz,
num grito,
tão aflito...
mãe....mãe....mãe....
Esqueci tudo que havia à minha volta,
meu pensamento
disparou
como um garrano,
enfurecido,
à solta,
sem saber o que tinha acontecido.
Esqueci
até o nome do amigo
que estava ali,
comigo,
e que me sustentou.
Queria correr,
voar,
para te socorrer,
te abraçar,
te agarrar
para não te perder.
Mas,
meu amor tão querido,
era tarde demais:
tu já tinhas partido!
II
Quando quis ouvir
aquela música que era tua,
não consegui
por me lembrar
de ti e bloqueei.
Tentei!
Quantas vezes tentei!
-- juro que me esforcei --
mas foi em vão.
Cada vez que eu ia tentar
pôr de novo a tocar
a tua música...
não conseguia.
Doía-me o peito,
a alma,
o coração.
E eu não conseguia...
sequer reconhecê-la!...
Dentro de mim
a saudade gritava....
ó meu amor querido!...
nada mais me restava
nem lágrimas,
nem gemidos,
nem ais...
Tu já tinhas partido
e não voltavas mais!!
I I I
Entrei na nossa casa,
qual criança
cheia de amor,
cheia de esperança
de te ver,
de te ter,
de te abraçar...
Mas tu não estavas la!
Corri a casa toda
mas em vão....
tudo era um vazio.
De ti,
nem um sinal:
um abraço,
um beijo,
um assobio
escutei...
E, de novo, sem querer,
eu bloqueei!
Sentei-me
sobre a cama
sem ter jeito
como se estivesse,
ainda,
à tua espera.
Mas a casa vazia
não fazia sentido.
Não gemi,
não gritei
e nem chorei por ti,
ó meu amor querido....
Por mais que eu não quisesse
tu já tinhas partido.
Não estavas mais ali!
domingo, 19 de janeiro de 2014
ORAÇÃO
Esta é uma singela homenagem a um grande amigo
Ao Senhor Padre José João Diogo
O R A Ç Ã O
Fui feita à semelhança do Senhor,
homem divinizado sobre a terra
e, tudo que de bom meu peito encerra
por Ele me foi dado com amor.
Genuflecti e rezei com fervor
por meus irmãos perdidos, nesta guerra
mundana, travada sobre a terra,
guerra crescente, cada vez maior.
Rezei por quantos andam sem guarida
perdidos nos caminhos desta vida,
vale de lágrimas, de sangue, de suor.
Rezei para que achassem o conforto
de levar suas barcas, a bom porto,
guiadas p'lo Farol do Salvador.
( anos 60 )
Ao Senhor Padre José João Diogo
O R A Ç Ã O
Fui feita à semelhança do Senhor,
homem divinizado sobre a terra
e, tudo que de bom meu peito encerra
por Ele me foi dado com amor.
Genuflecti e rezei com fervor
por meus irmãos perdidos, nesta guerra
mundana, travada sobre a terra,
guerra crescente, cada vez maior.
Rezei por quantos andam sem guarida
perdidos nos caminhos desta vida,
vale de lágrimas, de sangue, de suor.
Rezei para que achassem o conforto
de levar suas barcas, a bom porto,
guiadas p'lo Farol do Salvador.
( anos 60 )
domingo, 12 de janeiro de 2014
MEDO
MEDO
Quero-te
com toda a garra
que há em mim:
na força do prncípio,
na fraqueza do fim.
Quero-te
como a rocha
outrora solta
agarra agora a hera
que se vai enleando
tenaz
á sua volta.
Quero-te
como a jovem mãe
espera e desespera
p'lo momento feliz
do nascimento...
Quero,
com toda a força dos meus braços
te prender
porque,
um dia,
poderá talvez acontecer
alguém de arrancar de mim
e eu ficar assim,
sem nunca mais te ver....
sem nunca mais te ter....
perto de mim.
Não!
Não quero
nem sequer imaginar
que aquele Deus que tudo pode
e te inventou
poderá,
um dia aqui chegar
de mau humor
e sem qualquer razão determinar:
-- " É hora de partir
que o tempo terminou!!!
E eu, Senhor?
o que faço a seguir?
p'ra onde vou?
ser ter o meu amor?
Quero-te
com toda a garra
que há em mim:
na força do prncípio,
na fraqueza do fim.
Quero-te
como a rocha
outrora solta
agarra agora a hera
que se vai enleando
tenaz
á sua volta.
Quero-te
como a jovem mãe
espera e desespera
p'lo momento feliz
do nascimento...
Quero,
com toda a força dos meus braços
te prender
porque,
um dia,
poderá talvez acontecer
alguém de arrancar de mim
e eu ficar assim,
sem nunca mais te ver....
sem nunca mais te ter....
perto de mim.
Não!
Não quero
nem sequer imaginar
que aquele Deus que tudo pode
e te inventou
poderá,
um dia aqui chegar
de mau humor
e sem qualquer razão determinar:
-- " É hora de partir
que o tempo terminou!!!
E eu, Senhor?
o que faço a seguir?
p'ra onde vou?
ser ter o meu amor?
SEM VOLTA A DARntra
SEM VOLTA A DAR
Aqui, no meu colo, tão grande e tão pequeno
eu tenho o breviário mais sereno
que alguma vez li.
Ele foi, por certo, a biblia mais relida,
onde aprendi a perceber a vida
que conheci, em ti!
Ai, " Poemas de Deus e do Diabo"...
tu foste o meu mar alto sem ter cabo
que eu pudesse dobrar.
Li-te!..reli-te!...e, continuo lendo
e em ti, diáriamente, aprendo
como era improvável teu gostar.
É que, eu era o teu Diabo e o teu Deus,
era o caminho entre o Inferno e os Céus
que, ás vezes, desejavas.
Mas, não podias trair a natureza,
escolher entre o feio e a beleza,
por isso me afastavas.
Adoravas a mãe que te parira.
Veneravas aquela que te abrira
os olhos p'ro Amor todo pureza.
E, quando, esta, batia á tua Toca
com ela ia o diabo sempre à coca
de te deixares vencer pela fraqueza
que te tentava: " não desistas, ama!...
E tu, tentando apagar a chama
lutavas, furioso, contra o Vai! e o Vem!
Olhavas o começo da estrada;
fugias dessa curta caminhada
que ia do Poderoso ao Zé Ninguém.
De olhar metálico vias-me partir,
deglutias a dor e a sorrir,
fechavas com fragor a tua porta;
E, ficavas, ali, atrás, parado,
encostado á madeira, do outro lado,
a chorar tua esperança fria, morta.
Cruel contigo, a vida disse Não!
e eu parti sentindo adeus em tua mão
quando me despedi e fui embora.
Era o fim antecipado p'lo destino
que tornando teu amor em peregrino
te levava sózinho, mundo fora.
( Inédito )
Aqui, no meu colo, tão grande e tão pequeno
eu tenho o breviário mais sereno
que alguma vez li.
Ele foi, por certo, a biblia mais relida,
onde aprendi a perceber a vida
que conheci, em ti!
Ai, " Poemas de Deus e do Diabo"...
tu foste o meu mar alto sem ter cabo
que eu pudesse dobrar.
Li-te!..reli-te!...e, continuo lendo
e em ti, diáriamente, aprendo
como era improvável teu gostar.
É que, eu era o teu Diabo e o teu Deus,
era o caminho entre o Inferno e os Céus
que, ás vezes, desejavas.
Mas, não podias trair a natureza,
escolher entre o feio e a beleza,
por isso me afastavas.
Adoravas a mãe que te parira.
Veneravas aquela que te abrira
os olhos p'ro Amor todo pureza.
E, quando, esta, batia á tua Toca
com ela ia o diabo sempre à coca
de te deixares vencer pela fraqueza
que te tentava: " não desistas, ama!...
E tu, tentando apagar a chama
lutavas, furioso, contra o Vai! e o Vem!
Olhavas o começo da estrada;
fugias dessa curta caminhada
que ia do Poderoso ao Zé Ninguém.
De olhar metálico vias-me partir,
deglutias a dor e a sorrir,
fechavas com fragor a tua porta;
E, ficavas, ali, atrás, parado,
encostado á madeira, do outro lado,
a chorar tua esperança fria, morta.
Cruel contigo, a vida disse Não!
e eu parti sentindo adeus em tua mão
quando me despedi e fui embora.
Era o fim antecipado p'lo destino
que tornando teu amor em peregrino
te levava sózinho, mundo fora.
( Inédito )
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