BLOQUEIOS
I
Bateu-me a dor no peito.
Uma dor tão brutal
e tão intensa,
tão violenta,
tão profunda.
tão sem jeito,
que eu bloqueei.
Só ouvia a tua voz,
num grito,
tão aflito...
mãe....mãe....mãe....
Esqueci tudo que havia à minha volta,
meu pensamento
disparou
como um garrano,
enfurecido,
à solta,
sem saber o que tinha acontecido.
Esqueci
até o nome do amigo
que estava ali,
comigo,
e que me sustentou.
Queria correr,
voar,
para te socorrer,
te abraçar,
te agarrar
para não te perder.
Mas,
meu amor tão querido,
era tarde demais:
tu já tinhas partido!
II
Quando quis ouvir
aquela música que era tua,
não consegui
por me lembrar
de ti e bloqueei.
Tentei!
Quantas vezes tentei!
-- juro que me esforcei --
mas foi em vão.
Cada vez que eu ia tentar
pôr de novo a tocar
a tua música...
não conseguia.
Doía-me o peito,
a alma,
o coração.
E eu não conseguia...
sequer reconhecê-la!...
Dentro de mim
a saudade gritava....
ó meu amor querido!...
nada mais me restava
nem lágrimas,
nem gemidos,
nem ais...
Tu já tinhas partido
e não voltavas mais!!
I I I
Entrei na nossa casa,
qual criança
cheia de amor,
cheia de esperança
de te ver,
de te ter,
de te abraçar...
Mas tu não estavas la!
Corri a casa toda
mas em vão....
tudo era um vazio.
De ti,
nem um sinal:
um abraço,
um beijo,
um assobio
escutei...
E, de novo, sem querer,
eu bloqueei!
Sentei-me
sobre a cama
sem ter jeito
como se estivesse,
ainda,
à tua espera.
Mas a casa vazia
não fazia sentido.
Não gemi,
não gritei
e nem chorei por ti,
ó meu amor querido....
Por mais que eu não quisesse
tu já tinhas partido.
Não estavas mais ali!
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