segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

BLOQUEIOS

BLOQUEIOS

        I

Bateu-me a dor no peito.

Uma dor tão brutal
e tão intensa,
tão violenta,
tão profunda.
tão sem jeito,
que eu bloqueei.

Só ouvia a tua voz,
num grito,
tão aflito...
mãe....mãe....mãe....

Esqueci tudo que havia  à minha volta,
meu pensamento
disparou
como um garrano,
enfurecido,
à solta,
sem saber o que tinha acontecido.

Esqueci
até o nome do amigo
que estava ali,
comigo,
e que me sustentou.

Queria correr,
voar,
para te socorrer,
te abraçar,
te agarrar
para não te perder.

Mas,
meu amor tão querido,
era tarde demais:
tu já tinhas partido!

         II
Quando quis ouvir
aquela música que era tua,
não consegui
por me lembrar
de ti e bloqueei.

Tentei!
Quantas vezes tentei!
-- juro que me esforcei --
mas foi em vão.

Cada vez que eu ia tentar
pôr de novo a tocar
a tua música...
não conseguia.
Doía-me o peito,
a alma,
o coração.

E eu não conseguia...
sequer reconhecê-la!...

Dentro de mim
a saudade gritava....
ó meu amor querido!...
nada mais me restava
nem lágrimas,
nem gemidos,
nem ais...

Tu já tinhas partido
e não voltavas mais!!

          I I I
Entrei na nossa casa,
qual criança
cheia de amor,
cheia de esperança
de te ver,
de te ter,
de te abraçar...

Mas tu não estavas la!

Corri a casa toda
mas em vão....
tudo era um vazio.

De ti,
nem um sinal:
um abraço,
um beijo,
um assobio
escutei...

E, de novo, sem querer,
eu bloqueei!

Sentei-me
sobre a cama
sem ter jeito
como se estivesse,
ainda,
à tua espera.

Mas a casa vazia
não fazia sentido.

Não gemi,
não gritei
e nem chorei por ti,
ó meu amor querido....

Por mais que eu não quisesse
tu já tinhas partido.

Não estavas mais ali!




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