SEM VOLTA A DAR
Aqui, no meu colo, tão grande e tão pequeno
eu tenho o breviário mais sereno
que alguma vez li.
Ele foi, por certo, a biblia mais relida,
onde aprendi a perceber a vida
que conheci, em ti!
Ai, " Poemas de Deus e do Diabo"...
tu foste o meu mar alto sem ter cabo
que eu pudesse dobrar.
Li-te!..reli-te!...e, continuo lendo
e em ti, diáriamente, aprendo
como era improvável teu gostar.
É que, eu era o teu Diabo e o teu Deus,
era o caminho entre o Inferno e os Céus
que, ás vezes, desejavas.
Mas, não podias trair a natureza,
escolher entre o feio e a beleza,
por isso me afastavas.
Adoravas a mãe que te parira.
Veneravas aquela que te abrira
os olhos p'ro Amor todo pureza.
E, quando, esta, batia á tua Toca
com ela ia o diabo sempre à coca
de te deixares vencer pela fraqueza
que te tentava: " não desistas, ama!...
E tu, tentando apagar a chama
lutavas, furioso, contra o Vai! e o Vem!
Olhavas o começo da estrada;
fugias dessa curta caminhada
que ia do Poderoso ao Zé Ninguém.
De olhar metálico vias-me partir,
deglutias a dor e a sorrir,
fechavas com fragor a tua porta;
E, ficavas, ali, atrás, parado,
encostado á madeira, do outro lado,
a chorar tua esperança fria, morta.
Cruel contigo, a vida disse Não!
e eu parti sentindo adeus em tua mão
quando me despedi e fui embora.
Era o fim antecipado p'lo destino
que tornando teu amor em peregrino
te levava sózinho, mundo fora.
( Inédito )
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