INTIMIDADE
Teu respirar
ofegante
que se afoga no meu peito,
é a ampulheta constante
do teu anseio de amante
em que me aninho com jeito..
Teus lábios
mordem os meus
numa loucura
de amor.
Mas, em breve,
saciados,
abandonam, por momentos,
a taça
do meu licor
onde restam,
a escorrer
pingos de raro sabor
que 'inda acabas por sorver....
E já o teu corpo lasso,
fatigado,
arquejante,
resvalou e a meu lado
se queda inerte,
parado,
embora ainda escaldante....
Mas, em meu peito
ainda arde
a tortura do desejo:
-- E, unindo meu rosto ao teu,
como quem suplica ao céu...
peço-te a mercê dum beijo.
E, de novo enlaçados,
lábios nos lábios colados
a excitação recomeça...
até que muito cansados,
felizes
mas esgotados,
adormecemos depressa.....
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